

Desde de que me conheço por gente
gosto de futebol e remo,
claro que essa paixão vem do berço.
Lembro dos meus passeios de bicicleta
(sempre a bicicleta alegrando minha vida),
com meu pai da nossa casa até o miramar,
onde sentavos na beira da calçada para assitir
as regatas: Riachuelo, Aldo Luz, Martineli.
Torciamos pelo Clube Naútico Riachuelo, de cores
azul e branca claro!
Enquanto nos deliciavamos com o espetáculo do remo,
meu pai tomava uma cervejinha faixa azul e eu um
guaraná antártica,
Lembro bem de um dia em que o Riachuelo teve
que fazer as provas com barcos danificados,
havia pego fogo em seus galpões e os remadores
remendaram com esparadrapo os barcos.
A prova do oito-com, foi demais, vi quando
largaram de baixo da ponte Hercílio Luz
e num esforço de pura raça, as cores né!
o barco danificado do Riachuelo ganhou a prova.
Não sei em que ano isso aconteceu,
mas ainda trago na memória o cheiro do mar;
os remos azuis e brancos entrando e saindo da água;
a cor do céu;
o sal na pele, o mar batia em meu pés;
o gosto do guaraná
e a privilegiada visão do meu pai
tomando uma cervejinha, sim uma só,
que ele sabia apreciar como ninguém,
gole a gole, como se estivesse namorando
uma linda moça dourada,
depois um Minister.
Pude viver tudo isso, nas provas de remo
e nos estádios que fui com meu pai,
a cervejinha, a única, sendo levada
docemente até seus lábios,
"bons tempos" _ velha expressão,
mas válida como nunca.
Não vender cerveja dos estádios é coisa
do futuro sem graça,
nunca do passado.
Viva os ambulantes em volta dos estádios,
futebol e cerveja são inseparáveis e
acreditem, tem muita gente que sabe beber!



